quarta-feira, 9 de julho de 2014

VEI AÍ A NOVA NOVELA DO AGRESTE POTIGUAR: "FUNCIONÁRIOS FANTASMAS"




JUSTIÇA MIPIBUENSE CONSIDERA GREVE ILEGAL

SÃO JOSÉ DE MIPIBU – JUSTIÇA DETERMINA FIM DA GREVE SOB PENA DE MULTA DIÁRIA DE 5 MIL REAISxx

Foto: Rainiele Cíntia.
A juíza da Comarca de São José de Mipibu, Dra. Miriam Jácome, considerou ilegal a greve parcialmente iniciada nas escolas da rede municipal de ensino, determinando o retorno dos professores em sala de aula no prazo de 24 horas, sob pena de multa diária no valor de R$ 5.000,00 para o SINTE/NSJM.
Confira.

Diante de todo o exposto, e por tudo mais que consta, DEFIRO o pedido de antecipação dos efeitos da tutela pretendida, para determinar aos professores da rede pública municipal de ensino, através do Sindicato dos Trabalhadores em educação Pública do RN – SINTE/NSJM, que se abstenham de fazer greve, ou caso tenham dado início ao movimento paredista que retomem suas atividades profissionais no prazo de 24 horas, sob pena de multa diária no valor de R$ 5.000,00, em caso de descumprimento, a ser arcada pela entidade classista, sem prejuízo de demais cominações que possam vir a ser determinadas.
Cite-se o réu para, querendo, contestar no prazo legal, sob pena derevelia.
Publique-se.Registre-se. Intimem-se.
São José de Mipibu-RN, 08 de julho de 2014.
Miriam Jácome de Carvalho Simões
Juíza de Direito.

FONTE: Blog de Daltro Emerenciano 

PREVIU A TRAGÉDIA

Ainda não acredito, diz brasileiro que previu o 7 x 1 em um sonho

Engenheiro de SP postou resultado no Facebook às 8h da terça (8).
'Acordei pensando: Nossa, que maluco. O pessoal vai dar risada'.

Flávia MantovaniDo G1, em São Paulo
Post do engenheiro Flavio Spina (Foto: Reprodução/Facebook)Post do engenheiro Flavio Spina
(Foto: Reprodução/Facebook)
“Sonhei que a Alemanha ganhava de 7 X 1...”, postou no Facebook o engenheiro Flavio Spina, de São Paulo, por volta das 8h da manhã desta terça-feira (8). Onze horas depois, quando o improvável placar do jogo da seleção brasileira pela semifinal da Copa se concretizou, o comentário de Flavio fez sucesso na rede social.
Dezenas de amigos compartilharam o post e fizeram piadas com ele, chamando-o de profeta e perguntando se ele saberia o resultado da Mega-Sena.
Ao G1, Flavio contou que ainda não acredita no que aconteceu. Ele diz que a única parte que lembra do sonho era da imagem da televisão de sua casa marcando 7 a 1 para a Alemanha. “Acordei pensando: Nossa, que maluco. Vou postar, o pessoal vai dar risada”, relata.
Flavio se fantasiou de mago após acertar o placar (Foto: Flavio Spina/Arquivo pessoal)Flavio se fantasiou de mago após acertar o placar 
(Arquivo pessoal)
Ele viu o jogo na casa de um amigo e afirma que no final do primeiro tempo achou que ficaria 5 a 0.  Durante o segundo tempo, amigos comentaram seu post à medida que iam saindo os demais gols, incrédulos de ele ter acertado. No fim da partida, ele conta que recebeu telefonemas de vários conhecidos. Seu amigo tinha uma fantasia de mago que havia usado em uma festa e até o vestiu com ela, para tirar foto.
“Até agora não estou acreditando. Como bebi um pouco, até perguntei para um amigo: ‘Me fala: isso está acontecendo mesmo? É verdade?’”, relata.

Flavio não jogou o resultado em nenhum bolão. “Infelizmente. Porque eu iria ganhar sozinho”, diz.

Ele afirma, porém, que não queria ter acertado a goleada: “Lógico que não. Queria que o Brasil fosse para a final”.

Mulher come placenta após parto em Natal, diz obstetra

Caso ocorreu em hospital da Zona Leste na quarta-feira (2).
Médico falou que não sabia da prática, que se espalha pelos EUA.

Do G1 RN
O caso de uma mulher que comeu a própria placenta chamou a atenção da equipe médica de um hospital na Zona Leste de Natal. A paciente pediu uma tesoura para cortar e comer o órgão e deixou o hospital com o bebê três horas e meia depois do parto, segundo o relato do obstetra Iaperi Araújo, que usou as redes sociais para contar a história. "Pediu uma tesoura pra cortar um pedaço e um pouco de coentro pra temperar. Não tinha. Comeu sem o tempero. Nunca vi isso na minha vida", disse o médico.
A placentofagia - prática de guardar a placenta após o nascimento do bebê para comê-la - vem crescendo nos Estados Unidos. Apesar de a prática ser comum entre os animais, não existem evidências antropológicas de que a prática existiu entre humanos. Não há registros de que a placentofagia faça mal.
O caso aconteceu na quarta-feira (2), mas Iaperi Araújo só falou sobre o caso nas redes sociais neste domingo (6). O obstetra afirma que a mulher chegou ao hospital por volta das 20h30 pois estava havia 30 horas em casa e o quadro não evoluía. "Não tinha médico nem fez pré-natal e me tratou mal. Não me deixou examinar, gritou comigo e respondi", afirma Araújo. O obstetra conta que a paciente aceitou fazer a anestesia, mas pediu que o pai fizesse o parto. "Não permiti e o pai disse que não era médico", contou ao G1.

Depois de muita discussão, o médico explica que o bebê nasceu por volta das 23h30. O pai da paciente cortou o cordão, no entanto a mulher teria voltado a gritar afirmando que a placenta era dela. "Coloquei dentro de um saco e a entreguei. A mãe convenceu ela a deixar uma neonatologista examinar. Quando a médica foi levar o recém-nascido para o berçário a paciente surtou e saiu correndo nua pelo corredor", diz o obstetra.

De acordo com o médico, a mulher ficou batendo no vidro do berçário. "Uma hora o pai chegou, arrombou a porta e levou a criança. A mãe e os familiares dela se trancaram em um quarto no terceiro andar e lá ficaram. Só abriram a porta para pedir uma tesoura porque a paciente ia comer a placenta", diz Araújo. O obstetra conta que as pessoas só saíram do quarto às 3h. "Todos saíram. Ela estava com a placenta dentro do saco", explica.

Araújo conta que ficou chocado com o fato e que não pretende mais fazer partos. "Foi a gota d'água na minha história de obstetra. Vou fazer os últimos partos das minhas pacientes grávidas", encerra o médico.

terça-feira, 8 de julho de 2014

FRASE QUE DIZ TUDO




Auridéa Barbosa


Nos últimos tempos Brasil não está bom em nada saúde, educação, segurança, governantes e a seleção deu o chute de misericórdia!!!! REVOLTADA

(Frase de Auridéa Barbosa)

MOMENTO DE REFLEXÃO

Arnaldo Jabor Foto: O Globo

Gramados verdes, céus azuis






Nesta Copa que parece um flashback de felicidade, sinto a alegria da 'normalidade'

Hoje, o destino nos levou a jogar contra a Alemanha. Com duas desgraças: Thiago Silva fora de campo e o Neymar atacado criminosamente por aquele vagabundo da Colômbia. Aquela joelhada brutal pode decidir a Copa do Mundo. Dessas besteiras se faz a história. Que vai nos acontecer? Saberemos hoje.

Quanto a mim, com medo de nosso futuro, as últimas semanas me jogaram de volta ao Maracanã do passado.

A primeira vez em que assisti a um jogo foi no velho estádio, recém-inaugurado. Meu avô me levou. Fiquei com ele na arquibancada de cimento. Milhares de torcedores gritavam e pulavam. E eu, ali. De repente, me assustei, pois percebi que, em vez de olhar o campo, eu prestava atenção nas pessoas que assistiam ao jogo. Percebi que eu estava atento às suas reações, a seus olhos e bocas torcidas por palavrões e nervosismo, enquanto eu os observava de fora como se fosse de outro planeta. Me senti meio maluco, lembro, esquisito, incapaz de me incluir naquela fanática torcida no estádio. Meu destino de perna de pau estava traçado, não só no futebol mas para a vida.

O futebol sempre foi para mim um sonho inatingível. Nunca fui aceito pelo futebol — como entraria naquela batalha de homens guerreiros, eu, magro, comprido e tímido?

Tentei, tentei sim e consegui ser aceito nos times de praia da Urca, onde eu invariavelmente era o reserva. Havia muitos times de praia; o respeitado Lavaibola, (creio que era do Leme), o Arsenal com sua camisa dourada e roxa, o Ipiranga verde e vermelho — mágicas roupas que eu ambicionava vestir. Mas, faltava-me a agressividade dos garotos da rua, duros e secos, porradeiros e xingadores, faltava-me a natural destreza das panturrilhas musculosas.

Uma vez, pintou uma vaga no Ipiranga. Jogaram-me a camisa com menosprezo e vibrei de orgulho. O jogo começou e eu, perna de pau, corria em vão. Lá para as tantas, chegou o titular e a camisa me foi arrancada e dada ao valoroso Acreano, estranho indígena de pernas tortas, famoso por seus dribles desengonçados. Parecia que tinham me arrancado a pele. Corri para a água e fui chorar no mar.

No colégio, a bola entrou raspando entre minhas pernas num frango clamoroso (tentava ser goleiro). Lembro da trave, da bola entrando e da vergonha diante de colegas me xingando e do apito do padre-juiz.

Daí para frente foram humilhações sucessivas. Nunca integrei um primeiro time de nada no colégio, nunca recebi uma taça, nunca arranquei poeira do chão com chuteiras masculinas e ferozes, nunca conheci a alegria dos aplausos suados, descabelados nas manhãs azuis dos padres jesuítas. Para me vingar, passei a ostentar uma indiferença superior ao “nobre esporte bretão”.

Hoje lamento esse trauma que me tirou a alegria de acompanhar o futebol, desde aqueles tempos remotos e talvez ilusoriamente felizes. Hoje invejo amigos que sabem tudo sobre bolas. Pergunto ao Rui Solberg ou ao Sérgio Augusto por exemplo qual era o time do Botafogo em 1949 e eles respondem na hora.

No entanto, nessas últimas semanas de gramados verdes e céus azuis da Copa, eu me senti de volta ao tempo antigo. Nos sábados e domingos, soavam no ar os radinhos de pilhas dos porteiros de prédios com os locutores competindo em velocidade na descrição dos jogos. Oduvaldo Cozzi era o mais rápido. Ary Barroso rosnava sem pudor pelo Flamengo. As ruas eram mais vazias, havia manhãs, tardes e noites mais nítidas, havia mais paz. Claro que se armavam mudanças políticas às vésperas do golpe de 64, mas estava intocada uma cidade baldia e amada, um Rio precário e poético na Lapa, no Mangue, em Copacabana, uma cidade que, com poucas migalhas, fabricava uma urbanidade pacífica.

Esta Copa de 2014 nos trouxe de volta um sentimento semelhante — temos alguma causa em comum, um desejo de vitória, um desejo de avanço, uma alegria que não sentíamos há muito tempo. Por algumas semanas perdemos a sensação de tudo ser fragmentário, inatingível e um país possível surgiu a nossa frente. Alguém escreveu por aí que se dedicássemos toda essa energia para mudar o Brasil politicamente, seria um “chuá” ou um “banho”, como se dizia em futebol.

Daqui a uma semana, voltará o sentimento de excesso, de insolubilidade para os problemas do mundo, estaremos de novo em trânsito como carros engarrafados, dominados por celulares, por circuitos sem pausa, com nossa identidade cada vez mais programada. Depois da sensação de passado, estaremos sem presente. Voltará o suspense diante do destino político, principalmente com as eleições. Estamos no intervalo. Que nos espera depois do jogo contra a Alemanha? Que nos espera em Brasília?

Quanto a mim, lembrei-me de um momento feliz no passado. Outro dia, Pelé, numa entrevista, disse que o maior jogador que ele viu em campo foi o Zizinho. Eu também vi. Foi um momento mágico.

Meu avô me levara a um Vasco x Bangu, na magra esperança de fazer de mim um homem. Lá estava eu no Maracanã, vagamente entediado, cumprindo um dever, quando apareceu um jogador mulato de camisa listrada vermelha e branca, que arrancou num corrida extraordinária, deu “chapéu” em vários “joões”, executando um balé de volteios ferozes e sutis como um cossaco dançante, levou a bola colada no pé e colocou-a no canto da trave, sob o olhar do goleiro abobalhado. Naquele instante eu fui tomado de funda emoção. Eu entendi o que era “arte”. Não só de futebol, mas arte mesmo. Todos gritavam: Zizinho!... Zizinho!

Naqueles minutos, Zizinho me fez esquecer de mim mesmo e lembro com grande saudade que gritei e me senti igual a todo mundo, igual, perdido na massa pobre do tempo, sentindo a alegria da “normalidade”, sem medo, sem tremor, felicíssimo antes que minha solidão melancólica voltasse a se instalar.

É mais ou menos isso que tenho sentido nesta Copa que parece um flashback de felicidade.

Como naquela visão artística de Zizinho, tenho sido bem feliz nas últimas semanas. Até que a depressão dos tempos brasileiros volte a se instalar.



ARNALDO JABOUR

segunda-feira, 7 de julho de 2014


  • COMPORTAMENTO
  • | Edição: 2313
  • | 21.Mar.14 - 20:50
  • | Atualizado em 07.Jul.14 - 16:20

Atacadas nos vagões

Série de casos de mulheres vítimas de violência sexual no transporte público de São Paulo revela a crescente onda de compartilhamento de imagens desse tipo de assédio em sites criminosos. Mas as iniciativas para coibir esse crime ainda são insuficientes

Fabíola Perez (fabiola.perez@istoe.com.br) e Wilson Aquino (waquino@istoe.com.br)
Nos últimos dias, vieram a público seis casos de assédio sexual no trem e no metrô de São Paulo que chocaram a população. Na segunda-feira 17, um estudante universitário foi preso em São Paulo por tentativa de estupro contra uma mulher que utilizava a Linha 7 – Rubi da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM). O homem foi acusado de cercá-la em um canto do trem, torcer seu braço, colocar o órgão genital para fora da calça e ejacular nas pernas da vítima. Detido e levado pela Delegacia de Polícia do Metrô, o criminoso foi autuado em flagrante por estupro. Dias depois, na quarta-feira 19, dois jovens foram presos apalpando as nádegas de duas adolescentes na estação Sé. Na quinta-feira 20, mais três homens foram autuados pela Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom) de São Paulo. Os atos foram considerados importunação ofensiva ao pudor. Ao todo, 23 pessoas foram detidas por esse delito na capital paulista este ano. Casos de abusadores que se aproveitam da superlotação do transporte público urbano para praticar assédio sexual ocorrem há décadas. As últimas denúncias, no entanto, jogaram luz sobre uma série de páginas em redes sociais e sites criminosos que reúnem grupos que praticam esse tipo de violência e publicam fotos e imagens do momento da violação, os chamados encoxadores. A ONG Safer Net Brasil, que atua contra crimes na rede, registrou apenas na semana passada 19 denúncias sobre páginas de abusadores que cometem atos ilícitos no metrô e nos trens. “Com a popularização dos smartphones, a internet passou a ser uma vitrine para atos de violência cotidiana”, afirma Thiago Tavares Nunes de Oliveira, presidente da ONG.
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SEGURANÇA
A supervisora pedagógica Verônica Lima (acima) raramente anda sozinha
em trens e no metrô, por medo dos encoxadores. Abaixo, seguranças operando
o sistema de câmeras do metrô paulista, que pode ser utilizado para coibir o assédio
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Das 21 páginas existentes, seis foram tiradas do ar pelo Google e uma pelo Facebook. O grande perigo desse fenômeno, de acordo com Oliveira, é que a publicação do conteúdo esteja gerando uma competição. “Antes, os abusadores praticavam esse crime e ficavam calados; hoje as imagens passaram a ser exibidas como se fossem troféus”, diz. Especialista em abuso sexual, a psicanalista Ana Maria Iencarelli classifica esse comportamento como síndrome do pequeno poder. “O homem usa a ameaça da força física, da intimidação, e a ideia de submissão feminina em relação a ele”, afirma. Homens com esse tipo de comportamento sentem mais prazer em experimentar a relação de poder do que trocar prazer sexual. Casos de abuso sexual no transporte público ocorrem com muito mais frequência do que as estatísticas indicam, uma vez que a maioria das mulheres não denuncia.
No ano passado, a ajudante de serviço social, Roseane Ribeiro Arévalo, 28 anos, voltava à noite para casa pela Linha 3 – Vermelha do Metrô de São Paulo. “Quando levantei a cabeça havia um homem na minha frente, me olhando, com o órgão genital para fora, se masturbando”, diz a jovem, que não esboçou nenhuma reação. “Fiquei apavorada e desci na estação seguinte.” Rose procurou um segurança do Metrô, mas foi desestimulada pelo guarda a denunciar.
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Esse tipo de assédio não ocorre apenas no Brasil. Fenômeno conhecido como “frotteurismo” (ato de se esfregar em outra pessoa), nos Estados Unidos é chamado de “groping” (tateando) e no Japão é batizado de chikan (molestador). Segundo Maria Fernanda Marcelino, membro da Sempre Viva Organização Feminista (SOF), no mundo todo há uma banalização da violência contra a mulher. “Persiste a ideia de que a sexualidade dos homens é algo incontrolável e, por isso, quem deveria ter cuidado são elas”, diz. Para Maria Fernanda, as tevês dos ônibus e dos metrôs deveriam ser utilizadas para campanhas de conscientização. E mais: as estações deveriam ter postos de atendimento para que as vítimas construíssem retratos-falados do agressor. “Com esses relatos e o sistema de imagens, os seguranças poderiam identificar mais facilmente os abusadores.” Apesar de a polícia ter intensificado as investigações, esse tipo de ação tem se proliferado, já que a maior parte das violações é considerada crime leve. “Os homens são autuados por importunação ofensiva ao pudor, notificados e o juiz pode aplicar uma pena alternativa, como prestar serviços à comunidade ou pagar algum tipo de indenização às vítimas”, afirma Osvaldo Nico Gonçalves, delegado da Divisão Especial de Atendimento ao Turista (Deatur), à qual se subordina a Delpom.
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ASSEDIADAS
Aglaupe Damasceno (acima) e Roseane Arévalo: violações sexuais são
o drama diário de mulheres que usam o transporte público
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O delegado afirma que a polícia continuará investigando nas próximas semanas sites criminosos dos chamados encoxadores. “Estamos levantando o número dos IPs para identificar de onde o usuário está acessando a rede”, diz Gonçalves. Além disso, outra iniciativa em curso é a infiltração de seguranças à paisana nos vagões para flagrar atos de violência contra a mulher. Para a doutora em direito pela Universidade de Brasília e autora do livro “Criminologia Feminista”, Soraia da Rosa Mendes, poucos crimes como esses são caracterizados como estupro em função da dificuldade na obtenção das provas e do baixo índice de investigação. “As denúncias vindas de mulheres costumam ser desconsideradas pelo Judiciário brasileiro”, afirma. “Alguns estereótipos, como a roupa que a mulher usa, estão na mente de quem opera o sistema judicial.” Para a secretária nacional de enfrentamento à violência da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República, Aparecida Gonçalves, as vítimas devem fazer a denúncia em qualquer situação. “Cada vez que deixamos de denunciar por medo ou vergonha, estamos abrindo espaço para esse tipo de crime”, diz.
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Em março de 2006, foi criada no Rio de Janeiro uma iniciativa para diminuir o assédio sexual em transportes públicos. A então governadora Rosinha Garotinho (PR) sancionou uma lei que obriga os sistemas metroviário e ferroviário do Estado a destinar vagões exclusivos às mulheres nos horários de pico de manhã e à tarde. O vagão é sinalizado pela cor rosa e quando um homem tenta entrar no espaço, os seguranças pedem que ele se retire. A iniciativa, que também é praticada no Distrito Federal, não acabou com os casos de assédio. A professora Aglaupe Damasceno, 22 anos, usa diariamente o trem e o metrô, mas diz que raramente está sozinha na condução. “Os homens costumam encostar as partes íntimas, esse contato dá nojo, mas fico com medo e não sei como reagir.” A supervisora pedagógica Verônica Lima, 28 anos, afirma que o assédio ocorre até nos vagões exclusivos. “Na hora do rush não tem jeito, a gente tenta escapar, mas eles nos seguem e esfregam pernas e braços”, diz. Para a especialista da Universidade de Brasília (UnB) Soraia Mendes, é preciso reformular a cultura machista. “Não é porque um vagão está cheio que alguém pode violar a dignidade de outra pessoa.”
Fotos: Masao Goto Filho/Ag. Istoé; Mateus Bruxel/Folhapress, fotos: Masao Goto Filho, João Castellano - Ag. Istoé